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Presidente da Suzano relata aumento na demanda para papéis tissue

18 de Maio de 2020
Publicado emEconomia, Home, Notícias, Slider

“A demanda de tissue e a menor disponibilidade de fibra reciclada mais que compensaram a retração no segmento de imprimir e escrever”, afirmou Walter Schalka

Em teleconferência para comentar o resultado trimestral com jornalistas, o presidente da Suzano, Walter Schalka, afirmou que a demanda de celulose segue puxada pelo segmento de papéis tissue (para fins sanitários) e a menor oferta de fibra reciclada, um dos efeitos das medidas de restrição adotadas para conter a Covid-19, tem estimulado a migração para a fibra virgem.

De acordo com Schalka, os resultados do primeiro trimestre confirmam que a Suzano é capaz de gerar caixa em momentos difíceis, como a crise em curso desencadeada pela pandemia. No intervalo, a geração de caixa operacional chegou a R$ 2,3 bilhões, com alta de 31% na comparação anual, e as vendas de celulose foram recorde, reduzindo em cerca de 500 mil toneladas os estoques da matéria-prima.

“Isso mostra que estamos gerando caixa mesmo em um ambiente difícil de mercado”, afirmou o executivo. “É importante mencionar que ampliamos nossa competitividade nesse período e temos um balanço robusto”, acrescentou.

De acordo com o executivo, o desempenho positivo no mercado de celulose foi mantido ao longo de abril e maio.

Segundo o diretor de papel da companhia, Leonardo Grimaldi, a empresa vai estender até junho a parada comercial realizada em duas fábricas de papel de imprimir e escrever, em Mucuri (BA) e Rio Verde (SP), uma vez que a demanda segue em queda, pressionada pela Covid-19.

No primeiro trimestre, as vendas consolidadas de papel recuaram 2% na comparação anual, para 268 mil toneladas, sem considerar as vendas da unidade de bens de consumo (tissue). Tradicionalmente, as vendas no primeiro trimestre são mais fracas, devido à sazonalidade do consumo no mercado brasileiro, mas a pandemia de Covid-19 gerou uma queda “sem precedentes” na demanda a partir de meados de março, defendeu o executivo.

“Começamos a sentir os primeiros efeitos da Covid-19 no segmento de imprimir e escrever em março”, comentou Grimaldi.

Naquele mês, o consumo nacional de papéis de imprimir e escrever recuou mais de 20%, levando a uma queda de cerca de 15% no trimestre. Neste momento, o ambiente para o negócio de imprimir e escrever permanece bastante “desafiador” e a retração no mercado brasileiro deve ser ainda maior no segundo trimestre.

“Com isso, os estoques subiram muito e decidimos parar a produção de papel em Mucuri e Rio Verde em maio”, comentou Grimaldi. Os dois meses de parada vão retirar 50 mil toneladas de papel de imprimir e escrever do mercado e a celulose utilizada como matéria-prima será redirecionada para outros mercados.

A Suzano considera que há condições de mercado para aplicação integral do aumento de US$ 30 por tonelada anunciado para os Estados Unidos e a Europa em maio. “A demanda segue firme em todos as regiões”, comentou o diretor comercial de celulose da Suzano, Carlos Aníbal.

“A demanda de tissue e a menor disponibilidade de fibra reciclada mais que compensaram a retração no segmento de imprimir e escrever”, afirmou Walter.

Além disso, a diferença de preços entre a celulose de fibra curta e a de fibra longa segue acima de US$ 100 por tonelada, estimulando a migração para a fibra curta. De acordo com Aníbal, a Suzano mantém a estratégia de produzir mais em 2020, vender mais e encerrar o ano com menos celulose estocada.

INCERTEZAS

Com a maior parte de suas receitas geradas no exterior, a Suzano tem se beneficiado da maior demanda de celulose nos mercados doméstico e externo, mas não é possível afirmar, neste momento, como será a relação entre oferta e demanda no mundo passados os efeitos da crise da Covid-19.

“É muito difícil antever como ficará a relação entre oferta e demanda de celulose, então somos neutros nessa questão”, disse Schalka.

Neste momento, comentou Schalka, o consumo de papéis tissue tem sido estimulado pela doença e deve haver mudança estrutural nos níveis de demanda a partir desse evento. Por outro lado, a queda no consumo de papel de imprimir e escrever tem um componente conjuntural e outro estrutural, observou.

“Parece haver uma correlação direta entre consumo de papel de imprimir e escrever e medidas de fechamento ou isolamento social por causa da Covid-19”, afirmou o executivo. Nos países onde essas medidas estão sendo relaxadas, já teve início a recuperação do consumo, concluiu.

Fonte: Tissue Online

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