A participação dos idosos no mercado de trabalho no Grande ABC aumentou em 15 anos, segundo a PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego), da Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) e do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). Além do envelhecimento da população geral, o que torna natural a elevação na idade média do trabalhador, um dos fatores que impulsionam a continuidade da atividade profissional para os mais velhos é a necessidade de complementação da renda familiar.

Em 2000, 3,4% dos ocupados na região tinham 60 anos ou mais, o equivalente a 32.368 pessoas. No ano passado, o percentual saltou para 6,4%, o que corresponde a 78.336 trabalhadores. Ou seja, houve crescimento de 142%.

Dentro do grupo de moradores do Grande ABC com idade superior a 60 anos, 15,9% estavam empregados em 2000. A proporção passou para 19% após 15 anos. Por outro lado, a pesquisa mostra que os jovens estão adiando a entrada no mercado de trabalho para priorizar a qualificação.

O economista Alexandre Loloian, assessor técnico da Fundação Seade, comenta que, diante do fato de os indivíduos entre 16 e 24 anos estarem iniciando mais tarde as atividades profissionais, as empresas estão cumprindo essa lacuna com os mais velhos. “Os empregadores se beneficiam também porque esses trabalhadores já têm experiência”, acrescenta.

Já o delegado do Corecon-SP (Conselho Regional de Economia de São Paulo) no Grande ABC, Leonel Tinoco Netto, assegura que, diante do envelhecimento da população brasileira, é natural que o mercado de trabalho acompanhe esse movimento etário, cuja tendência é de continuidade pelos próximos anos.

O economista, que também é professor na Fundação Santo André, cita que, conforme projeção do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a parcela de pessoas com idade entre 60 e 74 anos no Brasil, que hoje é 8,96% da população, deverá saltar para 18,73% em 2025. Ou seja, o número de habitantes nessa faixa etária deverá passar dos atuais 18,5 milhões para cerca de 40,9 milhões – aumento de 121%.

Tinoco Netto destaca ainda que as características do sistema previdenciário no País também forçam o trabalhador a permanecer na ativa, mesmo depois de se aposentar. “O benefício que hoje é pago pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) não permite que o indivíduo tenha um padrão de vida razoável quando se aposenta”, conclui.

A advogada Jane Berwanger, presidente do IBDP (Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário), segue a mesma linha. “Partindo da informação geral de que dois terços dos benefícios da Previdência Social são no valor de um salário mínimo (R$ 880), justifica-se porque as pessoas acabam não conseguindo dar conta de seus gastos com a aposentadoria”, ressalta. Para se ter ideia da defasagem, o salário mínimo necessário calculado pelo Dieese é de R$ 3.777,93. “Além disso, os preços dos medicamentos são reajustados em percentuais muito maiores do que os dos benefícios. Esse é um gasto que pesa muito no orçamento dos idosos”, continua.

A especialista ressalta que o envelhecimento da população faz com que frequentemente volte à tona o debate sobre a realização de mudanças nas regras para aposentadoria. “Um dos argumentos que o governo usa para reforçar a necessidade das reformas é o deficit da Previdência, que, em grande parte, ocorre em razão da desvinculação de receitas que deveriam ir para a Previdência Social e não se destinam a essa área. Ou seja, o governo não pode falar em modificações se não houver mudanças na forma de arrecadação”, complementa.

Segundo interlocutores do presidente da República em exercício, Michel Temer (PMDB), o governo pretende enviar ao Congresso ainda neste ano projeto de lei para fixar a idade mínima para aposentadoria em 65 anos para homens e mulheres.

Fonte: Força Sindical