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Usina da Eldorado Brasil vai gerar até 1500 empregos

18 de março de 2019
Publicado emEconomia, Home, Notícias, Slider

Usina “Onça Pintada” da Eldorado, que será inaugurada até janeiro de 2021 em três lagoas, é a maior do gênero no brasil e gerará até 1,5 mil empregos durante a construção.

A Eldorado Brasil pretende, com a inauguração da Usina Onça Pintada, liderar um movimento de geração de energia verde a partir de material que normalmente se perdia no campo. Com restos de galhos, cascas e tocos de árvores cortadas para a produção de celulose, a Eldorado produzirá energia para abastecer uma cidade de mais de 300 mil habitantes – ou três vezes o tamanho de Três Lagoas.
A reportagem esteve na Eldorado Brasil para conversar com o responsável pelo empreendimento, o Diretor Industrial Carlos Monteiro.

O investimento para a construção da usina beira os R$ 350 milhões – recursos próprios da Eldorado, que não dependem de investidores. A construção gerará, de forma indireta, entre mil e 1.500 empregos que, segundo Monteiro, devem ser preenchidos prioritariamente por três-lagoenses.

Essas são vagas que serão ocupadas durante a construção civil. Além dos empregos indiretos, haverá também os empregos para a operação da usina. Serão necessárias cerca de 40 pessoas para fazer a usina girar. “os empregos permanentes serão especialmente na área florestal, já que o insumo principal é biomassa”, disse monteiro.

A USINA

O projeto Onça Pintada prevê a geração de energia a partir da biomassa da madeira. Ou seja: a Eldorado reaproveitará o resto do corte do eucalipto que sustenta a indústria de celulose. A biomassa é feita de tocos, raízes, cascas e restos de árvores que não eram aproveitados no campo e que, agora, passarão a gerar energia elétrica.

A usina processará uma tonelada de biomassa para cada MW/h de energia produzida.

As obras de construção civil devem começar em abril. Segundo Monteiro, os equipamentos já estão comprados.

Pelo cronograma, a Usina deve começar a rodar no vazio (ou seja, em fase de testes) a partir de agosto de 2020. O compromisso com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) é que as turbinas comecem a operar para valer em janeiro de 2021.

“Não tenho dúvidas que será um marco”, afirmou monteiro. A usina é a de maior geração de energia do brasil com essas características: a onça pintada deve entregar 50 megawatts/hora ao sistema elétrico nacional, conhecido como “linhão”. A partir daí, a ANEEL distribuirá a energia de acordo com o necessário para todas as regiões do país.

NEGÓCIO PARALELO

Apesar de ficar no mesmo espaço físico em que está a fábrica da Eldorado, a Usina Onça Pintada não abastecerá a fábrica com energia. Mesmo porque a Eldorado, além de ser auto-suficiente (ela mesma gera a energia que usa) já produz energia suficiente para exportar para o grid nacional outros 50 MW/h.

“É um processo diferente, independente da produção de celulose, que utilizará o que sobra da colheita de eucalipto para a geração de energia verde”, afirmou Monteiro.

Segundo o Diretor Industrial, não é possível calcular o faturamento esperado com o novo negócio. Apesar da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) pagar as usinas por MW, a variação do clima faz os preços flutuarem.

“A Eldorado exporta energia como PLD – Preço de Liquidação das Diferenças. É um valor já divulgado no mercado, dependendo da oferta e procura de energia. Já a Onça Pintada é o que chamamos de unidade despachada, ou seja, quem define o preço é a Aneel. Nós participamos do leilão e tem um valor estabelecido da venda da energia para a Agência. Se esse valor ficar muito baixo, a Aneel pode mandar a gente desligar e paga um fixo para a manutenção do pessoal e a estrutura. Flutua muito, depende do consumo”, disse Monteiro.

A Onça Pintada será a primeira usina de geração de energia a partir de biomassa a produzir essa quantidade de energia. Existem outras, pequenas, produzindo cerca de 5 MW/h.

“Temos uma floresta enorme aqui, é uma matéria-prima que está lá e fica no campo apodrecendo. Se você consegue transformar isso em energia você está agregando valor ao seu negócio” — Carlos Monteiro, Diretor Industrial da Eldorado Brasil

ENERGIA VERDE, TENDÊNCIA MUNDIAL

Existem várias experiências bem-sucedidas de energia renovável no mundo, e não há mais dúvidas que essa seja uma tendência. Hoje, o mercado trabalha basicamente com três áreas energia limpa: a eólica, a solar e a energia verde, que é o caso da usina de Três Lagoas.

Existem atualmente 271 usinas à biomassa em operação no Brasil, o que representa 12,7 gigawatts em capacidade, segundo dados da CCEE. A maioria, entretanto, funciona à base de bagaço de cana. O potencial representa quase uma usina de Itaipu, que soma 14 gigawatts em potência instalada.

A Eldorado pode estar liderando o processo de energia verde no Brasil. Além da Onça Pintada a empresa já tem o projeto de mais duas usinas – todas no Mato Grosso do Sul. “Temos uma floresta enorme aqui, é uma matéria-prima que está lá e fica no campo apodrecendo. Se você consegue transformar isso em energia você está agregando valor”, afirmou o diretor.

POR QUE TRÊS LAGOAS?

A construção da Usina Onça Pintada havia sido anunciada para acontecer em Selvíria. Entretanto, a Eldorado bateu o martelo e afirmou que o empreendimento será feito em Três Lagoas. A razão é estritamente financeira.

“O plano de viabilidade técnico-econômica mostrou ser muito mais atrativo fazer a Usina dentro da fábrica, com toda a infraestrutura que já temos, restaurante, vigilância, portarias, acessos prontos, pessoal de jardinagem. Tudo isso é economia, porque se fôssemos fazer em outro lugar ia ter que investir nisso também”, disse Monteiro.

A Usina vai ser construída ao lado da portaria por onde entram os caminhões de madeira. E isso também se mostra um ponto estratégico, já que o fluxo de caminhões não mudará e toda a matéria-prima da usina virá das florestas.

COMPENSAÇÃO AMBIENTAL

O Imasul definiu a compensação ambiental a ser paga pela Eldorado para a construção da usina termoelétrica em R$ 1,7 milhão. Monteiro afirma que, por melhor que seja o projeto, ele sempre causa um impacto e, por isso, o Governo determina as compensações.

“Todo projeto, por melhor que seja em termos ambientais, ele causa um impacto no local onde ele é implantado. Normalmente são impactos positivos, mas acaba gerando algum transtorno. Os órgãos ambientais avaliam esse tipo de impacto e já tem um valor padronizado. Para esse tipo de projeto a compensação é de R$ 1,7 milhão”.

Fonte: O Petróleo

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